TEA nível 1: quando “leve” não significa simples
TEA nível 1: quando “leve” não significa simples
O autismo nível 1 costuma ser associado a maior autonomia, mas isso não significa ausência de dificuldades ou de sofrimento. A pessoa pode estudar, trabalhar, conversar e levar uma vida relativamente independente, enquanto precisa de muito esforço para lidar com relações sociais, mudanças, organização e estímulos sensoriais.
No DSM-5-TR, o diagnóstico envolve dificuldades nos três aspectos da comunicação social: reciprocidade socioemocional, comunicação não verbal e capacidade de desenvolver, manter e compreender relacionamentos.
Também devem aparecer pelo menos dois entre quatro grupos de características: comportamentos repetitivos ou estereotipados, interesses restritos e intensos, rigidez cognitiva ou comportamental e alterações sensoriais.
Essas características começam no desenvolvimento, podem ficar mais evidentes quando as exigências aumentam ou ser mascaradas, precisam causar impacto importante na vida e não devem ser mais bem explicadas por deficiência intelectual.
E na prática, quando o autismo de nível 1 de suporte aparece?
Os relacionamentos também podem exigir muito esforço. É comum existir insegurança em situações sociais, análise constante do próprio desempenho, isolamento, dificuldade para iniciar interações ou participar de eventos e dificuldade para criar ou manter amizades. Algumas relações acabam se organizando principalmente em torno de interesses em comum.
O problema é que parecer adaptado não significa estar confortável. A camuflagem pode gerar desgaste emocional. Também podem existir dificuldades de organização e de mudança entre atividades, conflitos nos relacionamentos, solidão, pouco suporte social, sensação de inadequação ou culpa e sofrimento diante de estímulos sensoriais. A ingenuidade social pode ainda aumentar a vulnerabilidade a manipulações, abusos e experiências traumáticas. Em alguns casos, essas dificuldades também repercutem na autonomia e na vida profissional.
Por isso, na avaliação neuropsicológica, não basta observar se a pessoa consegue conversar, estudar, trabalhar ou se relacionar. É importante compreender como ela consegue, quanto esforço isso exige e qual é o impacto desse esforço em sua vida.
Maior autonomia não significa menor necessidade de compreensão ou suporte.
Referência Bibliográfica:
Costa, AJ, Tannure, T., Antunes, AM (Orgs.) (2025). Leve para quem? 2: transtorno de espectro autista. Editora Ampla.
Por: Calebe F. (CRP16/09365)
* Este texto integra o Editorial de Psicologia da SkillKaizen e foi elaborado por um psicólogo, com finalidade informativa e educativa. O conteúdo não substitui avaliação psicológica, neuropsicológica ou diagnóstico individualizado.
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